Melhores leituras de 2020

Ainda é tempo para falar do que melhor li no ano anterior? Essa listagem ficou parada desde o final de dezembro, o novo ano começou e por uma sucessão de eventualidades da vida, a postagem foi ficando pra depois e depois e depois. 

Enfim, chegou o dia de falar bem sucintamente dos livros que mais curti ter lido no famigerado vinte vinte. 



A Caveira Rolante, a mulher-lesma e outras histórias indígenas de assustar

Organização de Daniel Munduruku com ilustrações de Maurício Negro (Global Editora)

Reúne seis histórias dos povos indígenas Tukano, Ajuru, Macurap, Tembé e Karajá. São narrativas que trazem um teor misterioso e amedrontador ao mesmo tempo em que podemos tecer reflexões e ensinamentos sobre as relações entre as pessoas e a convivência com a natureza. A história da mulher-lesma é uma das minhas preferidas. Já quero ler os outros volumes da coleção "Antologia dos mitos indígenas". 


Sulwe

Lupita Nyong'o com ilustrações de Vashti Harrison (Rocco Pequenos Leitores)

Sulwe tem a cor da meia-noite. Por não se parecer com sua mãe, pai e irmã e receber "apelidos" desagradáveis na escola, a menina sonha em ter a pele mais clara - e se parecer com a irmã. Em determinada noite, Sulwe tem um encontro que muda sua percepção sobre o significado de seu nome e a beleza em sua cor de pele. Lindamente ilustrado por Vashit Harrison. Lupita nos agracia com a leitura do livro nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=vujbTOuzg2Q


Casa Botão

Hermes Bernardi Jr. com ilustrações de Ellen Pestili (DCL)

"Casa botão" conta história de Vermelho, um solitário botão já usado, desbotado e que vive no fundo de uma gaveta numa (simpática) loja de aviamentos. Será que Vermelho um dia será escolhido? Qual é o destino dos botões únicos? A encantadora história de Hermes Bernardi Jr. é "costurado" com as incríveis ilustrações de Ellen Pestili que trazem os elementos comuns a uma loja de tecidos e aviamentos. Eu não tenho esse livro, mas aceito de presente porque virou meu queridinho.


A moça tecelã

Marina Colasanti com ilustrações bordadas das irmãs Dumont (Global)

"Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear". Essa bela narrativa conta a história de uma moça que com o seu tear construía tudo o que precisava para si. Não parecia lhe faltar nada... No entanto, em determinado momento, a tecelã decide que queria um companheiro para si. As ilustrações bordadas combinadas com as palavras mágicas de Colasanti tornam "A moça tecelã" uma narrativa encantadora. 


Tio Flores. Uma História às Margens do Rio São Francisco

Texto e ilustrações de Eymard Toledo (V&R)

Enquanto o menino Edinho passa suas tardes com Tio Flores aprende sobre o ofício de costureiro e o passado de sua comunidade. A chegada de fábricas e da industrialização, e consequentemente da destruição do meio ambiente, impactam a cidade e em profissões como a do Tio Flores. Porém, Edinho tem uma ideia... Tem postagem sobre esse livro maravilhoso por aqui, confira!


1984

George Orwel com tradução de Heloisa Jahn e Alexandre Hubner (Companhia das Letras)

Que livro! Vou virar a pessoa que indica 1984 em qualquer ocasião. O fato de tê-lo lido e conversado em um clube de leitura fez a experiência de imersão no universo criado por Orwell ter sido extremamente proveitosa e estimulante. Ler é bom, mas conversar sobre e após um livro tão incrível, atemporal e potente quanto 1984 é melhor ainda!


O conto da aia

Margaret Atwood com tradução de Ana Deiró (Rocco)

Apesar de ser sofrido de novo, "O conto da aia" é um livro que pretendo reler de tempos em tempos. Ficção especulativa de altíssima qualidade, chega a doer (re)ler e perceber que de 1985 - ano em que Atwood o publicou - para cá as condições que as mulheres são submetidas continuam sendo tão absurdas quanto às descritas no livro. Agora estou "pensando" seriamente em ler "Os testamentos", ambientado quinze anos após os acontecimentos de "O conto da aia". 


Despertar

Octavia E. Butler com tradução de Heci Regina Candiani (Morro Branco)

Após um período de 250 anos de animação suspensa, Lilith Iyapo acorda em uma "nave" pra lá de estranha com uma espécie alienígena (os Oankali) dizendo que a Terra está habitável novamente, graças a eles, já que a humanidade a destruiu após uma guerra. Lilith é despertada com a missão de "despertar" outros seres humanos e prepará-los para viver numa Terra diferente mas com uma condição dos Oankali... (Começa a gritar: AAAAAA) Que livro! Foi um "eita" atrás de "eita". Despertar foi surpreendente, as descrições de Butler eram de uma riqueza sublime. A visão de um Oankali é ao mesmo tempo... estranha e incrível: que poder de imaginação e escrita! Li, amei e já quero ler o segundo volume da trilogia Xenogênese composta por "Despertar", "Ritos de Passagem" e o ainda não publicado aqui, "Imago). 


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